Como a Capcom e a Konami Dominaram os Anos 90 nos Arcades

capcom e konami

Antes do streaming, antes dos consoles potentes em casa e antes até de muitos brasileiros terem um videogame próprio, existia o fliperama. E em praticamente qualquer salão de arcade dos anos 90, duas empresas japonesas brigavam, lado a lado, pela atenção (e pelas fichas) dos jogadores: Capcom e Konami. Vamos relembrar como essas duas gigantes moldaram a era de ouro dos fliperamas.

A Capcom e a revolução dos jogos de luta

A Capcom, fundada no Japão em 1979, já vinha construindo sua reputação nos arcades desde os anos 80 com títulos como 1942 e Ghosts ‘n Goblins. No entanto, foi em 1991 que a empresa mudou para sempre a história dos fliperamas com o lançamento de Street Fighter II. Diferente do primeiro jogo da franquia, lançado em 1987, a sequência trouxe um conceito de jogabilidade que parecia estar, segundo especialistas, dez anos à frente da concorrência.

O sucesso foi tão avassalador que a Capcom passou a lançar versões aprimoradas constantemente, incluindo Super Street Fighter II, de 1993, que estreou junto com a nova placa CP System 2, permitindo gráficos e áudio significativamente melhores. Esse ciclo de atualizações praticamente criou uma febre competitiva mundial em torno dos fliperamas, consolidando Street Fighter como uma das franquias mais importantes da história dos jogos de luta.

Beat ‘em up: a especialidade que a Konami dominou

Enquanto a Capcom investia pesado em jogos de luta e shooters, a Konami construiu seu império nos arcades através do gênero beat ‘em up, conhecido popularmente como “briga de rua”. A virada decisiva aconteceu em 1989, com o lançamento de Teenage Mutant Ninja Turtles: The Arcade Game, que permitia até quatro jogadores simultâneos enfrentando hordas de inimigos para resgatar April O’Neil. O jogo se tornou tão popular que ganhou uma sequência direta nos arcades, Turtles in Time, igualmente bem-sucedida.

Depois desse sucesso, a Konami repetiu a fórmula em outras licenças de peso, como The Simpsons Arcade Game, lançado em 1991, apenas dois anos após a estreia do desenho nos Estados Unidos. O jogo permitia que até quatro jogadores controlassem a família Simpson para resgatar a pequena Maggie das mãos do Sr. Burns, mantendo a mesma fórmula testada e aprovada das Tartarugas Ninja.

A guerra silenciosa pelos gêneros de tiro

Além dos jogos de luta e briga de rua, ambas as empresas também travaram batalhas indiretas em outros gêneros extremamente populares nos fliperamas. A Konami se destacou com Contra, um dos pioneiros do estilo “run and gun”, conhecido por sua dificuldade extrema e fases que combinavam rolagem lateral tradicional com perspectivas em terceira pessoa. Já a Capcom investiu fortemente em shooters verticais e horizontais, como 1943 e Carrier Airwing, consolidando seu domínio também nesse nicho específico dos arcades.

Por que essas máquinas eram tão lucrativas

O modelo de negócio dos fliperamas explica parte do motivo pelo qual Capcom e Konami investiram tanto nesse mercado durante os anos 90. Os jogos eram, propositalmente, extremamente difíceis de zerar com poucas fichas, incentivando os jogadores a gastarem cada vez mais moedas tentando avançar. Some isso ao fator social dos arcades, onde jogar em grupo e socializar fazia parte da experiência tanto quanto o próprio jogo, e fica fácil entender por que esse modelo dominou a cultura geek por toda a década.

O legado que sobrevive até hoje

Décadas depois, o legado dessas duas gigantes continua extremamente presente. A própria Capcom lançou, em anos recentes, a coletânea Capcom Arcade Stadium, reunindo clássicos das placas CPS-1 e CPS-2 em uma experiência que recria digitalmente a atmosfera dos fliperamas originais, incluindo o som de inserir fichas virtuais. Já a Konami mantém viva sua tradição através de coletâneas como o Cowabunga Collection, das Tartarugas Ninja, e relançamentos constantes de Contra, garantindo que novas gerações também conheçam essas franquias históricas.

Uma rivalidade que beneficiou os jogadores

No fim das contas, a disputa indireta entre Capcom e Konami durante os anos 90 acabou beneficiando justamente quem mais importava: os jogadores. Cada nova fórmula de sucesso de uma empresa empurrava a concorrente a inovar ainda mais rápido, criando um ciclo virtuoso que resultou em alguns dos jogos mais lembrados da história dos arcades. E você, qual fliperama marcou mais a sua adolescência: os jogos de luta da Capcom ou os beat ‘em ups da Konami? Conta pra gente!

Tags: capcom, konami, fliperama, arcade, street fighter, tartarugas ninja, nostalgia gamer, anos 90

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