Resident Evil Requiem: o jogo que uniu 30 anos da franquia em um único capítulo
Imagine pegar o melhor de Resident Evil 7 — aquela tensão claustrofóbica que faz você andar devagar pelos corredores — e misturar com a adrenalina do Resident Evil 4, o game que redefiniu os jogos de ação para sempre. Parece o sonho de qualquer fã da franquia. Parece também exatamente o que a Capcom prometeu com Resident Evil Requiem, lançado em 27 de fevereiro de 2026 para PS5, Xbox Series, Nintendo Switch 2 e PC.
E sabe o que é mais impressionante? Eles entregaram.
5 milhões de cópias vendidas em cinco dias. Mais de 7 milhões em dois meses. O jogo da Resident Evil que mais rapidamente vendeu na história da franquia. Para um título que celebra os 30 anos da série, era o resultado que esse aniversário merecia.
O que é Resident Evil Requiem?
É o nono jogo principal da franquia e o primeiro exclusivo de nova geração — construído do zero para PS5, Xbox Series e Switch 2, sem herdar as limitações de versões para consoles mais velhos. A história se passa em outubro de 2026, 28 anos após a destruição de Raccoon City, e gira em torno de algo perturbador: sobreviventes daquele incidente estão morrendo misteriosamente, como se o T-Vírus tivesse ficado adormecido no organismo deles por décadas — inclusive em Leon S. Kennedy, que retorna ao centro da franquia pela primeira vez desde Resident Evil 6 (2012).
Ao lado de Leon, a novidade é Grace Ashcroft, uma analista do FBI sem experiência de campo que investiga as mortes por uma razão muito pessoal: sua mãe é Alyssa Ashcroft, sobrevivente dos eventos de Resident Evil: Outbreak. Dois personagens, duas perspectivas de gameplay, uma única narrativa que converge no terror.
Grace e Leon: dois jogos em um
A grande aposta de Requiem é a divisão das campanhas — não separadas como em Resident Evil 2, mas intercaladas ao longo da história, alternando entre os dois protagonistas em sequências que dialogam entre si.
Grace — o terror puro de volta
Jogar com Grace é como revisitar o que fez Resident Evil ser Resident Evil. Ela não é uma combatente. Ela gagueja em momentos de pânico, pode tropeçar ao fugir desesperadamente. Seu inventário é limitado, os recursos são escassos, e os inimigos — incluindo zumbis com traços residuais de personalidade e uma perseguidora imortal que não larga do seu pescoço — são genuinamente aterrorizantes.
O jogo recomenda jogar as partes de Grace em primeira pessoa, e é o caminho certo: o campo de visão restrito aumenta a tensão a níveis que tornam até uma simples virada de corredor uma experiência de tirar o fôlego. Quem amou o remake de Resident Evil 2 vai reconhecer aqui a estrutura que tanto funcionou — exploração cuidadosa, chaves para encontrar, puzzles para resolver, e a constante sensação de que os recursos vão acabar antes de você.
Uma mecânica nova e inteligente: Grace pode coletar sangue dos inimigos que derrota e combiná-lo com itens para criar munição e suprimentos. É estranho, é perturbador, e é exatamente o tipo de solução criativa que a Capcom adora inventar para o universo da franquia.
Leon — ação no melhor estilo RE4
Leon está mais velho, mais experiente, e ainda mais carismático. Seu arco de gameplay é inspirado diretamente no remake de Resident Evil 4: ritmo acelerado, combate fluido, um machado versátil que pode ser aprimorado e usado para bloquear ataques, e um sistema de aparo que transforma os confrontos em algo muito mais dinâmico.
A Capcom também trabalhou em parceria com a Porsche para incluir um Cayenne Turbo GT customizado que aparece nas cenas de ação de Leon, e com a relojoeira Hamilton para criar relógios exclusivos inspirados nos dois protagonistas — o tipo de detalhe de produção que mostra o nível de capricho que a equipe colocou no projeto.
E sim, Leon ainda faz piadas o tempo todo. Se isso vai te irritar ou fazer você rir depende exclusivamente da sua tolerância para tio engraçadinho.
A crítica especializada adorou
Com nota 88 no Metacritic na versão PS5, baseada em 83 reviews, o jogo recebeu uma recepção amplamente positiva. O Omelete descreveu Requiem como “o Resident Evil 6 que deu certo” — uma referência justa para quem lembra que em 2012 a Capcom tentou exatamente isso (e falhou feio). Desta vez, a equipe aprendeu com os erros e construiu algo que respeita ambas as vertentes da franquia sem sacrificar nenhuma delas.
A crítica elogiou especialmente o tom sombrio, a atmosfera, os visuais impressionantes da RE Engine com ray tracing completo, e o equilíbrio entre terror e ação. As ressalvas foram pontuais — a narrativa não é o ponto mais forte, os puzzles nas dificuldades baixas são simples demais, e a falta de modos extras além da campanha principal deixou alguns fãs querendo mais.
Por que ainda vale falar sobre Requiem em junho?
Porque o jogo não foi só um lançamento — foi um evento cultural para a franquia. Em março, a Capcom adicionou um modo foto gratuito que virou febre entre a comunidade, com fãs recriando cenas clássicas e comparando o visual de Requiem com jogos anteriores. A base de jogadores continua ativa, os memes com Leon continuam circulando, e o DLC que muita gente acredita estar a caminho ainda não foi anunciado.
Além disso, Resident Evil completa 30 anos em 2026. Requiem é a celebração definitiva desse aniversário — e se você ainda não jogou, é provável que o preço já tenha baixado um pouco, tornando essa a melhor época para entrar.
Raccoon City ainda não acabou. E nunca vai acabar.
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