Tazos: A Febre que Transformou Pacotes de Salgadinho em Caça ao Tesouro nos Anos 90

Tem uma cena que praticamente todo brasileiro que foi criança nos anos 90 vai reconhecer: abrir um pacote de salgadinho, torcer para que o lanche esperasse mais um pouquinho, e sair correndo pro recreio pra “bater Tazo” com a turma. Pequenos discos de plástico coloridos, os Tazos não eram só um brinde — eram moeda social, item de troca e, hoje, peça de colecionismo nostálgico cobiçada por adultos que cresceram com eles na mochila.

Uma ideia mexicana, inspirada no Havaí

A história dos Tazos não começa no Brasil. Tudo teve início em 1994, no México, quando executivos da Sabritas — subsidiária da PepsiCo — buscavam uma forma criativa de turbinar as vendas de salgadinhos. A inspiração veio dos POGs, um jogo de discos que já fazia sucesso no Havaí. O próprio nome “Tazo” tem origem em uma gíria mexicana usada para descrever algo bacana ou estiloso.

O sucesso foi tão grande que a ideia rapidamente se espalhou para outros países onde a PepsiCo operava — cada um com suas próprias coleções e personagens licenciados.

A chegada ao Brasil: “Tazo Mania”

No Brasil, os Tazos chegaram em 1997, através da Elma Chips, e a promoção foi batizada de “Tazo Mania”. A primeira coleção trazia a turma do Looney Tunes estampada nos discos, somando 80 peças no total — divididas entre 40 tazos normais, 20 super e 20 mega — além de itens extras para incrementar a brincadeira, como os chamados master tazos, porta-tazos e tapetazos, sem falar no álbum ilustrado para organizar a coleção.

O investimento na campanha de lançamento foi pesado: algo em torno de 17 milhões de dólares. E valeu a pena. Reportagens da época mostraram que as vendas de salgadinhos praticamente dobraram por conta da brincadeira, e a Elma Chips fechou aquele ano faturando perto de 650 milhões de dólares. Em pouco tempo, o Brasil se tornou o país que mais vendia esses salgadinhos no mundo todo, justamente por causa da febre dos Tazos.

Como se jogava (e por que isso importava tanto)

Mais do que simplesmente colecionar, os Tazos eram parte de uma verdadeira cultura de recreio. As regras de “bater Tazo” variavam de escola para escola — e até de bairro para bairro —, mas a essência era sempre a mesma: apostar suas peças contra as de um adversário e tentar virar o Tazo dele com algum tipo de arremesso ou batida. Quem virasse, levava.

Isso transformou os Tazos em uma espécie de moeda social entre crianças e adolescentes: ter os tazos raros, completar o álbum ou simplesmente ter mais peças que os colegas virava motivo de orgulho — e, claro, de comércio paralelo na hora do recreio.

As coleções que marcaram época

Depois do sucesso inicial com os Looney Tunes, vieram diversas outras leva de coleções ao longo dos anos 90 e 2000, com temas que iam dos desenhos animados à cultura pop em geral:

  • Animaniacs e Pink e o Cérebro
  • Tiny Toons
  • Animais em extinção
  • Máskara (baseada no filme O Máscara)
  • Pokémon, encerrando a década de 90 em grande estilo
  • Mais tarde, coleções como Yu-Gi-Oh!, Bob Esponja, Naruto e até temas próprios como Dracomania e Mithomania

Estima-se que, ao longo de todos esses anos e em todos os países onde circularam, mais de 10 bilhões de Tazos foram produzidos.

O fim de uma era

Como toda febre, a dos Tazos também teve seu ponto final. Em 2013, a coleção temática de “Piratas” marcou a última leva de discos distribuídos pela Elma Chips. Entre os motivos para o fim, destacam-se mudanças na legislação brasileira de publicidade infantil — como a Resolução 163/2014 do Conanda, que restringiu esse tipo de brinde voltado para crianças — somadas à mudança nos hábitos de consumo da nova geração, cada vez mais voltada para jogos digitais e redes sociais.

Nostalgia que não morre

Apesar do fim oficial, os Tazos nunca saíram completamente da memória afetiva de quem viveu aquela época. Em 2020, a Elma Chips testou o retorno dos discos em edições especiais ligadas à UEFA Champions League e ao Pac-Man, claramente apostando no público adulto nostálgico que cresceu na “era Tazo”. Já em novembro de 2022, a marca foi além e lançou no México uma coleção exclusiva em formato de NFT, batizada de “NFTazos” — uma forma bem 2020’s de reviver um símbolo tão analógico quanto os anos 90.

Os Tazos são prova de que nem sempre é preciso de muita coisa pra marcar uma geração: um disco de plástico, um pacote de salgadinho e a criatividade da criançada bastaram para criar um dos fenômenos mais genuinamente nostálgicos do Brasil dos anos 90 e 2000. E para quem guarda uma caixa de sapato cheia deles até hoje, sabe — isso não é só brinde, é patrimônio.

E você, ainda tem algum Tazo guardado por aí? Qual coleção marcou a sua infância? Conta pra gente nos comentários! 🥏✨

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